Como a PUC e o Mackenzie Entraram na Lista Negra do MEC
Universidades privadas entre as mais tradicionais de São Paulo têm cursos considerados “insatisfatórios” pelo MEC. Principal causa do fracasso foi nota do Enade, que avalia os alunos.
Duas das mais conceituadas e tradicionais universidades paulistas, Universidade Presbiteriana Mackenzie e Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), se viram hoje com uma mancha no currículo.
Ambas surpreenderam ao terem cursos inscritos na lista negra do Ministério da Educação. No Mackenzie, a tradicional graduação em Arquitetura e Urbanismo ficou com nota 2. Na PUC-SP, foram os de História (licenciatura) e Geografia licenciatura e bacharelado) que ficaram com notas consideradas "insatisfatórias" pelo MEC.
Os problemas de ambas as instituições no Conceito Preliminar de Curso (CPC), divulgado pelo Ministério e formado por vários indicadores, foram similares. No caso, as notas no Enade, que avalia os alunos do último ano da graduação, e questões relacionadas a infraestrutura.
O Mackenzie ainda se deu mal no quesito “regime dos professores”. Por lá, 42% do corpo docente trabalha em regime de exclusividade.
Os dois cursos da PUC ficaram com nota geral 1 no Enade (a melhor nota é 5), os arquitetos do Mackenzie ficaram com 2. Todas as notas abaixo de 3 geram preocupação ao Ministério. Foram menores do que 3, também, as notas de infraestrutura dos cursos de Geografia da PUC e Arquitetura do Mackenzie.
O Enade é obrigatório para os alunos conseguirem se formar. Entretanto, basta a presença na prova para que eles sejam considerados aptos a colar grau – independente da nota que obtiverem no exame, o que abre margem para boicotes.
Nem a PUC-SP nem o Mackenzie confirmam oficialmente que tenha havido boicotes à prova, mas não seria a primeira vez. Movimentos como esse têm ocorrido em universidades públicas e privadas, incluindo PUC e Mackenzie, desde o início da aplicação do teste, em 2004.
A reitora da PUC-SP, Anna Cintra, afirma que esta é uma possibilidade considerada pela instituição. "Se for confirmado, teremos que trabalhar junto às coordenações para que isso seja mudado. Nos avaliamos os exames nacionais como sendo muito importantes", disse a professora.
Já a PUC-Campinas foi mais categórica ao afirmar, em nota oficial, que "alguns cursos sofreram boicote durante a realização da prova". A universidade teve sete graduações reprovadas pelo MEC.
Segundo o recém-formado em Relações Internacionais pela PUC-SP, Felipe Gomes, que prestou o último Enade, “cerca de um terço a metade da sala sai da prova com o tempo mínimo”, diz. “Eu fiz a prova para ter uma boa nota do curso e avaliar o meu conhecimento, mas muita gente não faz isso”, afirma.
O Enade sempre sofreu oposição de algumas entidades estudantis, que questionam a eficácia do exame do MEC. A Universidade de São Paulo, por exemplo, não participa do Enade por julgar que o formato deixa de avaliar questões importantes, como a superlotação nas salas.
A reitora da PUC-SP, Anna Cintra, disse a EXAME.com que a universidade também foi supreendida pelo resultado e que aguarda o detalhamento dos problemas pelo Ministério da Educação. Ela prometeu ainda "reverter este quadro".
O Mackenzie lamentou, em nota oficial, o “desempenho atípico” na avaliação do Enade 2011 e afirmou que “várias providências estão sendo tomadas com relação a este resultado, entre elas a instituição de uma comissão interna de avaliação, que envolverá toda a comunidade acadêmica”.
As universidades com cursos que tiveram nota insatisfatória - que incluem ainda graduações da PUC Minas e PUC Goiás - terão 60 dias para cumprir as exigências determinadas para melhorar o corpo docente e 180 dias para se adequar na questão da infraestrutura.
Fonte: Exame
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