Beowulf

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Beowulf é um herói escandinavo mitológico, conhecido através do poema anglo-saxão medieval Beowulf. O manuscrito que contém o poema foi escrito no início do século XI, mas os eventos lendários que narra ocorrem entre os séculos V e VI dC.

O nome Beowulf é de origem incerta, mas desde o século XIX existe a teoria de que o nome significa literalmente "lobo-abelha" em anglo-saxão (em inglês moderno "Bee-wolf"). Nesse caso, o nome Beowulf poderia ser um kenning (metáfora) para "urso". Outra teoria sugere que o nome poderia ser relacionado a "beado-wulf", "lobo de guerra" em anglo-saxão.

Sua origem também é controversa; alguns estudiosos afirmam que surgiu a partir de um deus germânico chamado Bewoa. Embora Beowulf seja escrito em língua anglo-saxã, a história acontece na Escandinávia medieval.  

 

Beowulf

 


Genealogia

O que se sabe sobre sua genealogia é que o pai de Beowulf, Ecgtheow, casou-se com a filha de Hrethel, rei dos gautas a quem servia. No período coberto pelo poema, o rei dos gautas é Hygelac, tio de Beowulf. Ao morrer este, a coroa passa ao seu filho Heardred, mas este é morto num ataque do rei sueco Onela. Beowulf então é coroado rei dos gautas. O poema informa que Beowulf não deixou descendentes.

Lenda

Descrito como um herói de honrada coragem e incrível resistência, que lhe permitem enfrentar grandes batalhas com vitórias que lhe fizeram extremamente conhecido no mundo antigo.

Beowulf é descrito como um guerreiro gauta, pertencente a uma das tribos dos godos que vivia na atual Götaland, no sul da Suécia.

A primeira parte de sua epopeia conta a história da batalha contra o monstro Grendel que atacava a corte dinamarquesa.

Heorot, o palácio do rei dinamarquês Hrothgar certa vez foi importunado por um monstro chama Grendel. Depois disto, todas as noites, ele invadia o palácio e matava os guerreiros enquanto estavam desprevenidos. Os homens não podiam defender-se de tal criatura e abandonaram o local.

Ao saber da situação, Beowulf viajou imediatamente para o território dos godos a fim de destruir a besta. O rei Hrothgar recebeu o herói confiante e o colocou no comando sobre Heorot.

Quando a noite caiu, beowulf fingiu estar dormindo para emboscar o monstro quando ele viesse atacar o palácio. quando o monstro passou pelas portas, as armas dos guerreiros foram inutilizadas pela magia de Grandel, porém Beowulf o atacou habilmente e arrancou-lhe um dos braços, o que lhe foi fatal e a criatura fugiu aos pântanos para morrer enquanto todos no palácio comemoravam  a vitória.

Com a morte de Grendel, foi suscitada a ira de sua mãe, que atacou o palácio para vingar a morte de seu filho. O transtorno e as preocupações eram muito maiores, pois tratava-se de uma criatura extremamente poderosa e nenhum homem ousava enfrentá-la, Porém Beowulf a seguiu até o lago onde vivia.

Beowulf com sua espada mágica, Hurunting, mergulho no lago atras da mãe de Grendel que revidou o ataque e o levou ainda mais fundo no lago. Vendo que a espada mágica era inútil contra a criatura, a jogou fora e conseguiu uma das espadas da inimiga e com ela decapitou a mãe de Grendel. No caminho de volta ao palácio encontrou Grendel e arrancou-lhe também a cabeça e a levou consigo.

Ao chegar em Heorot com sua grande vitória, o rei Horothgar, deu-lhe uma outra espada chamada Naegling.

A segunda parte de sua epopeia conta a história de seu reinado e de sua última batalha.  

Com a morte de Grendel e sua mãe, todo o território passa a gozar de grande paz e com a morte do rei e herdeiros, Beowulf torna-se rei do território dos godos e governa em paz por 50 anos, até que um dragão, que lança chamas, ataca seu território. embora estivesse já avançado em sua idade, prepara-se para enfrentar o dragão e o destrói, mas é fatalmente ferido duranta esta batalha.

Espadas  

Assim como o martelo de Thor tem nome, duas espadas são citadas como identificação importante no poema:   Hurunting, a espada mágica de Beowulf e Naegling, a espada  que lhe foi ofertada pelo Rei Horothgar, que foi um grande guerreiro antes de tornar-se rei.

 

O Manuscrito

Manuscrito sobre Beowulf

O poema conseguiu transcender os séculos e chegar aos leitores contemporâneos. Mas o caminho não foi fácil. No século XVI, o manuscrito passou para as mãos do antiquário Lawrence Nowell, que assinou seu nome na primeira página do épico em 1.565 - dando a impressão de que ele era o autor. Nos anos seguintes, o material foi passado para sir Robert Bruce Cotton, que o manteve em seu acervo pessoal. Porém, em 1.731, Beowulf quase foi destruído em um grande incêndio. As margens do papel e algumas palavras ficaram danificadas. Na última tradução lançada no Brasil, pela editora Tessitura, o tradutor Erick Ramalho deixou alguns poucos trechos marcados com asteriscos, pois essas passagens são indecifráveis.

Por fim, o manuscrito foi entregue à British Library, na Inglaterra, onde permanece arquivado até hoje. Oficialmente, Beowulf se chama Cotton Vitellius A. XV. O motivo é simples: pertencia a Robert Bruce Cotton e estava arquivado na estante A, onde era o 15º livro da prateleira e ficava ao lado do busto do imperador romano Vitellius. Porém, é conhecido pelo nome do personagem principal da narrativa justamente por se desconhecer o autor.

Deuses Pagãos

É possível perceber que, embora seja um poema heroico sobre o povo escandinavo, o manuscrito sempre esteve em solo inglês onde foi escrito e possivelmente compilado. O que chama a atenção dos especialistas é o fato de Beowulf estar carregado de elementos religiosos cristãos e não pagãos. “Até o começo da década de 1930 acreditava-se que Beowulf era um texto pagão que havia sofrido algum processo de cristianização por monges ou copistas nos anos seguintes a sua conclusão. Hoje, porém, discute-se outra teoria: pode realmente ter sido um texto pagão, mas que foi transmitido pela tradição oral e, quando o manuscrito foi escrito, por volta do ano 1.000, pode ter sido desenvolvido em uma situação completamente cristã”, explica Elton Medeiros, que prepara sua própria tradução do épico. “Seria, então, um texto cristão que sofreu muitas influências pagãs”, completa.

Pode-se encontrar esses elementos cristãos logo no início do texto, quando o autor fala sobre a destruição causada por Grendel no palácio de Hrothgar. A passagem da obra diz que os homens punham-se a rezar pedindo proteção em templos pagãos, o que não surtiria nenhum resultado positivo - isso sugere que apenas o deus cristão poderia trazer proteção aos nórdicos sitiados pelo monstro. Sendo assim, pode-se supor que o próprio autor era cristão. Contudo, acredita-se que ele conviveu com a cultura e tradição escandinavas por algum tempo, por conta de seu conhecimento sobre o assunto, embora não concordasse com todos os seus ritos religiosos.

Pesquisadores

De acordo com Terje Spurkland, professor do Instituto de Linguística e Estudos Nórdicos da Universidade de Oslo (Noruega), Beowulf pode ser considerado um poema heroico pré-viking, composto oralmente entre os anos 700 e 750. Segundo o historiador Elton Medeiros, mestre em história pela USP e especialista no poema anglo-saxão, o texto de Beowulf surgiu a partir da tradição oral e, posteriormente, foi compilado com outros textos: A Paixão de São Cristóvão, As Maravilhas do Oriente, A Carta de Alexandre para Aristóteles, Beowulf e Judite, os dois primeiros escritos em prosa e os demais em verso.
Acima, Convidados do além–mar do pintor russo Nicholas Roerich (1874-1947). A obra retrata a chegada dos vikings conhecidos no Oriente como varegues nas planícies do Volga. Os nórdicos chamados Rus fundaram o principado de Kiev e emprestaram seu nome à Rússia e à Bielo-Rússia.

Calcula-se que esse codex dos textos tenha sido feito entre os anos de 975 e 1025 (por isso a adoção do ano 1.000), portanto, pode ter sido escrito após a cristianização dos vikings. A versão que chegou até os dias atuais passou muitos anos guardado em uma igreja sem receber a devida importância. Portanto, pouco se sabe com certeza sobre a origem da tradição do herói do poema. “Nos manuscritos originais há dois textos religiosos e outro contando a saga de Alexandre, e Beowulf está perdido no meio. Outra teoria é que a compilação desse códice no qual Beowulf integra fosse, talvez, um livro contando história de aventuras de monstros, pois as narrativas religiosas também tratam de combates”, argumenta Medeiros. “Beowulf, então, é uma espécie de quimera, pois é uma compilação estranha: há uma mistura de dialetos de diversas partes da Inglaterra e ninguém tem certeza de quando essa tradição realmente surgiu, na verdade”.

O historiador Johnni Langer, pós-doutorando pela Universidade de São Paulo (USP), coloca em dúvida a idéia de que o texto tenha sido desenvolvido inicialmente no século VIII e, depois, reunido em um único material. “Tradicionalmente, a data de composição do poema gira entre os séculos VII e VIII, primeiramente pele forma oral. Depois, com a influência da língua latina, houve a preservação do manuscrito no ano 1.000”, diz. “Porém, acredito que a obra foi composta oralmente e escrita ao mesmo tempo, no ano 1.000. O dragão das mitologias germânica e escandinava não tinha asas e era praticamente uma grande serpente, como a criatura que enfrenta Thor durante o Ragnarök. Mas Beowulf se confronta com um dragão alado que cospe fogo no fim da narrativa, e essas criaturas só surgiram por volta do ano 1.000 por causa do cristianismo, pois é uma alusão ao próprio demônio”, argumenta.

 

F ontes de pesquisa:

W ikipédia

R evista L eitura da H istória

 

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