Handel

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Era filho de um cirurgião barbeiro, que queira fazê-lo advogado. A princípio, estudou música clandestinamente, mas o pai acabou por consentir em seus estudos, quando tornou-se então aluno de Zachow, o principal organista em Halle. Aos 17 anos foi nomeado organista da Catedral Calvinista, mas um ano depois partiu para Hamburgo. Lá, tocou violino e cravo no teatro de ópera, onde sua Almira foi apresentada no início de 1705, logo seguida por Nero. No ano seguinte, aceitou um convite para ir à Itália, onde passou mais três anos, em Florença, Roma, Nápoles e Veneza. Teve óperas e outras obras dramáticas apresentadas em todas estas cidades (oratórios em Roma, incluindo La resurrezione) e, escrevendo muitas cantatas italianas, aperfeiçoou sua técnica de musicar as palavras italianas para o canto lírico. Em Roma, também compôs algumas músicas eclesiásticas latinas.

Deixou a Itália no início de 1710, indo de Hanover, onde foi nomeado Kapellmeister do Eleitor. Mas logo licenciou-se, para aceitar um convite de Londres, onde sua ópera Rinaldo foi produzida no início de 1711. De volta a Hanover, licenciou-se pela segunda vez, voltando a Londres no outono de 1712. Seguiram-se mais quatro óperas, em 1712-15, com sucessos alternados; também escreveu música para a igreja e para a corte, passando a receber uma pensão real. Em 1716 pode ter visitado a Alemanha (onde possivelmente musicou o texto da Paixão, de Brockes); foi provavelmente no ano seguinte que escreveu a Música Aquática (Water Music), uma serenata para Jorge I numa festa no rio Tamisa. Em 1717 entrou para o serviço do conde de Carnarvon (que pouco tempo depois seria elevado a duque de Chandos) em Edgware, próximo a Londres, onde escreveu 11 anthems e duas obras dramáticas, as sempre populares Acis and Galatea e Esther, para o modesto grupo de cantores e instrumentistas ali sediado.

Em 1718-19 um grupo de nobres tentou estabelecer a ópera italiana em Londres sobre bases mais firmes, formando uma companhia com o patrono real, a Royal Academy of Music; Haendel, nomeado diretor musical, foi a Alemanha, visitando Dresden, e arregimentado vários cantores para a Academy, que foi inaugurada em abril de 1720. O Radamisto de Haendel foi a segunda ópera e inaugurou uma série notável, durante os anos que se seguiram, incluindo Ottone, Giulio Cesare, Rodelinda, Tamerlano e Admeto. Foram apresentadas também óperas de Bononcini (visto por alguns como rival de Haendel) e outros, com sucesso no mínimo igual ao de Haendel, por uma companhia com alguns dos melhores cantores da Europa, especialmente o castrato Senesino e a soprano Cuzzoni. Mas a aprovação do público era inconstante e a base financeira instável, e em 1728 o empreendimento fracassou. No ano anterior Haendel, que fora nomeado compositor da Chapel Royal em 1723, havia composto quatro anthems para a coroação de George II, e se naturalizara cidadão britânico.

A ópera continuou a ser o seu interesse central; com o empresário da Academy, Heidegger, ele alugou o King´s Theatre e (após uma viagem á Itália e à Alemanha, para contratar cantores novos) deu início a uma temporada de cinco anos, começando no final de 1729. O sucesso foi variado. Em 1732, Esther foi apresentada numa sociedade musical londrina, por amigos de Haendel, e em seguida por um grupo rival, em público; Haendel fez os preparativos para apresenta-la no King´s Theatre, mas o bispo de Londres proibiu uma versão cênica de uma obra bíblica. Ele preparou então Acis, também como resposta a um empreendimento rival. No verão seguinte, foi convidado para ir a Oxford escreveu um oratório, Athalia para apresentação no Sheldonian Theatre. Enquanto isso, uma segunda companhia de óperas (“Opera of the Nobility”, incluindo Senesino) fora criada, concorrendo com a de Haendel,e as duas disputaram a preferência do público durante as quatro temporadas seguintes, quando ambas fracassaram. Esse período fez brotar de haendel, no entanto, óperas como Orlando, e duas com balé, Ariodante e Alcina, algumas de suas melhores partituras.

Durante o resto dos anos 1730, Haendel oscilou entre a ópera italiana e as formas inglesas, oratório, odes etc, inseguro quanto ao seu futuro, comercial e artisticamente. Após viagem a Dublin em 1741-2, onde o Messias foi estreado (em récita beneficente), ele abandonou a ópera e durante os anos que lhe restaram, apresentou récitas de oratório, a maioria no novo teatro do Covent Garden, habitualmente durante ou próximo à temporada da Quaresma. O Velho Testamento serviu da base à maioria deles (Samson, Belshazzar, Joseph, Joshua, Solomon, por exemplo), mas ele às vezes fez experiências, valendo-se da mitologia clássica (Semele Hércules) ou da história cristã (Theodora), com pouco sucesso de público.

Todas essas obras, junto com algumas antigas, como Acis e suas duas odes a Sta. Cecília (sobre textos de Dryden), foram apresentadas em inglês, em forma de concerto. Nessas récitas, ele costumava no intervalo um concerto ao órgão (um gênero musical recém-inventado), ou reger um concerto grosso (o op.6, um grupo de 12, publicado em 1740, representa sua mais extraordinária realização nessa forma).

Durante a última década de sua vida, apresentou com regularidade o Messias, habitualmente com cerca de 16 cantores e uma orquestra com uns 40 compositores, em benefício do Foundling Hospital. Em 1749 escreveu uma suíte para instrumentos de sopro (com cordas opcionais) para apresentação no Green Park, a fim de acompanhar os fogos de artifício reais, comemorando a Paz de Aix-la-Chapelle. Seu último oratório composto, quando ele começava a ficar cego, foi Jephtha (1752); The Triumph of Time and Truth (1757) é em grande parte composto a partir de materiais mais antigos. Haendel era muito econômico na reutilização de suas idéias; em muitos momentos de sua vida também utilizou abundantemente a música de outros autores (apesar de em geral evitar que isso fosse percebido); esses “empréstimos” podiam ser qualquer coisa, desde um breve motivo a movimentos inteiros, às vezes tal como eram originalmente, porém o mais comumente adaptados a seu próprio estilo.

Haendel morreu em 1759 e foi enterrado na Abadia de Westminster, reconhecido na Inglaterra e por muitos na Alemanha como o maior compositor de sua época. O vasto âmbito expressivo que dominava demonstrava-se não apenas nas óperas, com suas árias ricas e variadas, mas também na forma que ele criou, o oratório inglês, onde esse âmbito de expressão se aplica aos destinos tanto de nações quanto de indivíduos. Possuía um extraordinário senso dramático. Mas, acima de tudo, tinha uma grande capacidade e originalidade de invenção – o que pode ser admirado na excepcional variedade musical dos concertos do op.6, por exemplo, em que a beleza melódica, o arrojo e humor desempenham, todos, o seu papel – que fazem dele e de J.S. Bach os debates supremos do barroco na música.

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