Mussorgsky

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Modest Petrovich Mussorgsky nasceu em 1839 numa família rica. Ele cresceu na propriedade de seus ancestrais, onde começou a estudar piano com sua mãe aos seis anos. Quando Mussorgsky deixou sua casa e partiu para a luxuosa escola de Pedro e Paulo em São Petersburgo, continuou suas classes de piano com um célebre pianista local. Mas o treinamento primordial de Mussorgsky estava voltado para as forças armadas; seus pais esperavam que ele seguisse a tradição familiar e se tornasse um oficial militar. Ele se alistou no regime da guarda pessoal do czar aos 17 anos. Foi na guarda que Mussorgsky escreveu a primeira obra que chegou aos tempos modernos, Porte-Enseigne Polka, que seu pai orgulhosamente publicou com recursos próprios.

Pouco depois, Mussorgsky conheceu o famoso compositor Dargomïzhsky, que o apresentou a um círculo de jovens compositores e amantes da música, incluindo Balakirev e César Cui. Balakirev e Cui, juntamente com Borodin, Rimsky-Korsakov e Mussorgsky, formariam o “Mighty Kutcha”, um grupo de compositores nacionalistas. Balakirev tornou-se professor de Mussorgsky, dando-lhe classes em estética musical, baseando-se em obras de Beethoven, Schumann, Schubert e outros. Mussorgsky começou a produzir regularmente um número de pequenas peças obras musicais. Logo ele renunciaria seu posto militar com a finalidade de dedicar mais tempo à composição.

Neste período, Mussorgsky sofre com várias crises nervosas, mentais e espirituais; ele atravessou períodos nos quais sentia-se irritadiço, mentalmente débil e incapaz de trabalhar. A instabilidade mental atrapalhá-lo-ia para o resto de sua vida, dificultando sua habilidade para trabalhar regularmente, concluir projetos e até manter amizades. Mais adiante, Mussorgsky se tornaria um alcoólatra com tendência à ataques de delírio.
A libertação dos servos em 1861 deixou Mussorgsky sem uma fonte fixa de renda, obrigando-o a voltar para casa e ajudar seu irmão a tomar conta dos bens familiares. Depois, mudou-se para São Petersburgo, onde viveu por um curto período numa comunidade intelectual de artistas e filósofos, conseguindo um trabalho no funcionalismo público para se manter. Foi durante este período que o jovem compositor tomou os primeiros passos em direção a sua eventual adoção do realismo musical. Ele testou suas novas idéias em canções e fragmentos de obras maiores. Apesar de não ter terminado muitas de suas grandes obras, ele reciclou muitos trabalhos inacabados, utilizando-os como novas fontes de material harmônico e melódico para novos projetos.

A tentativa mais radical de realismo musical foi seu inacabado Zhenit'ba (Casamento), uma ópera baseada numa farsa clássica de Gogol. Mussorgsky compôs a ópera inteiramente em recitativo, criando suas linhas vocais os contornos e ritmos da fala humana. Colocando um diálogo “realístico” contra um rica base orquestral, ele intencionava chamar atenção para a paixão e emoção escondida na comunicação habitual. Contudo, depois de uma leitura privada preliminar de um ato completo, o compositor deu-se conta de que havia ido muito longe em sua nova visão radical e abandonou o trabalho na obra.

Em seu projeto operístico seguinte, Boris Godunov, Mussorgsky conseguiu combinar seu novo estilo vocal com o lirismo romântico. Mussorgsky terminou a primeira versão da ópera em 1868 e a enviou para o Teatro Mariinsky. O teatro rejeitou a obra sob a escusa de que a ópera não retratava uma estória de amor. Mussorgsky respondeu inserindo o “Polish Act” (Ato III), que introduz Marina Mniszek. Mas o compositor não parou por aí: ele fez uma revisão drástica no resto da ópera, fazendo cortes, reordenando cenas e inserindo nova música. A nova versão resultante era estruturalmente mais conservadora e enfatizava mais melodia e lirismo. A versão revisada foi estreada no Teatri Mariinsky em 1874. Foi a única ópera de Mussorgsky a ser completamente encenada durante a vida do compositor.

Na época da estréia de Boris Godunov, Mussorgsky já estava trabalhando em outra ópera: Khovanshchina, outro épico histórico. Ele também produziu uma de suas peças mais famosas Katinki s vistavki (Quadros de uma Exibição), inspirada por uma exposição de pinturas de um amigo falecido. Mas o compositor estava numa longa e paulatina jornada ao fundo do poço. Seu alcoolismo piorou e ele começou a experimentar ataques de demência. Períodos de relativa saúde e respeitabilidade eram eventualmente estragados por um relapso. Ele começou a escrever uma ópera cômica, Sorochinskaya yarmarka (Feira de Sorochintsy), mas só completou fragmentos. As tentativas de Mussorgsky para satisfazer seus fãs, trabalhando ao mesmo tempo em ambas Feira de Sorochintsy e Khovanshchina, somente frustraram o compositor. Ele abandonou ambas peças. Em 1881, o compositor teve uma série de ataques epilépticos e morreu poucos meses depois.

Depois da morte de Mussorgsky, suas obras foram editadas, corrigidas e, em alguns casos, revisadas por Rimsky-Korsakov. Korsakov tinha um autêntico respeito pelo talento e originalidade de Mussorgsky, mas considerava-o tosco e inepto. O hábil Rimsky-Korsakov tomou a tarefa de corrigir as obras de Mussorgsky, salvando-as de seu próprio compositor. Ele completou uma versão orquestral de Khovanshchina; Ravel e Stravinsky também orquestraram seções da ópera para produções futuras. A versão de Rimsky-Korsakov de Boris Godunov — mostrando os cortes de Rimsky, suas revisões gerais, reorquestrações e inserções de música completamente nova — popularizou a ópera na Europa. Também se seguiram versões de Boris Godunov por Shostakovich e outros compositores. Em verdade, a maioria dos trabalhos de Mussorgsky foram revisados e/ou editados por um número de mãos. Não foi até 1928 que uma edição completa com trabalhos tais quais escritos por Mussorgsky foi publicada. O século XX experimentou um forte movimento à favor da reabilitação e apresentação dos trabalhos no original do compositor.

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