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A Literatura no Barroco



  • Final do Século XVI na Europa
  • Crises Sociais, Econômicas e Políticas
  • Crises Religiosas (Reforma e Contra-Reforma)
  • Guerras Contínuas
  • Desilusão e Desesperança do Homem Europeu Contra as Normas Clássicas
  • Sinônimo de Impuro e Extravagante


O Barroco é abrangente e alastra-se sobre todas as artes: Literatura, Arquitetura, Pintura e Escultura.
Nas formas é grandioso e refinado. É complexo. É uma crítica a crises do período.
É a resposta do povo às guerras e sofrimentos a que são expostos pelos governos absolutistas da época.

Poesia e Teatro


A literatura Barroca surge, principalmente, na Inglaterra, França e Espanha.
Destaca-se na Poesia e no Teatro. Os principais representantes eureopeus do Barroco são: John Milton e John Donne, na Inglaterra, Marc Antoine Gérard e Jean de La Fontaine, na França, Luis de Góngora e Francisco Gómez de Quevedo y Villegas, na Espanha, Giambattista Marino, na Itália e Andreas Gryphius, na Alemanha.

Barroco Português


Até 1640, Portugal está sob domínio Espanhol e sua literatura sofre influências do país que o domina.

A prosa é onde o Barroco se destaca em Portugal. Os autores de destaque do Barroco português são: Dom Francisco Manuel de Melo (1608-1666), Padre Manuel Bernardes e, como principal representante, o Padre Antônio Vieira, com seus famosos sermões e cartas.

Barroco no Brasil


Surge no Brasil, no final do século XVI, e sua importância é enorme pois são as primeiras manifestações genuinamente artísticas, e que manifestam os primeiros sentimentos nativos e nacionalistas.

Dos principais poetas barrocos, Gregório de Matos destaca-se e tem sua obra dividida em três temáticas:

Sacra - Tema voltado para o amor de Deus, culpa, arrependimento e pecado.

 

A Jesus Cristo Nosso Senhor

Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
perder na vossa ovelha a vossa glória.



Buscando a Cristo

À vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.



Lírica - Amorosa e filosófica. Este último lembrando o desconcerto do mundo camoniano.

 

Desenganos da vida humana metaforicamente

É a vaidade, Fábio, nesta vida
Rosa, que de manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada
Airosa rompe, arrasta, presumida.

É a planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.

É nau enfim, que em breve ligeireza,
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:

Mas para ser planta, ser rosa, ser nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa ?

Sonetos a D. Ângela de Sousa Paredes

Não vira em minha formosura,
Ouvia falar dela todo dia,
E ouvida me incitava, e me movia
A querer ver tão bela arquitetura:

ONtem a vi por minha desventura
Na cara, no bom ar, na galhardia
De uma mulher, que em Anjo se mentia;
De um Sol, que se trajava em criatura:

Matem-me, disse eu, vendo abrasar-me,
Se esta a cousa não é, que encarecer-me
Sabia o mundo, e tanto exagerar-me:

Olhos meus, disse então por defender-me,
Se a beleza heis de ver para matar-me,
Antes olhos cegueis, do que eu perde-me


Satírica - Esta temática rendeu-lhe o apelido de "Boca do Inferno". Já que o poeta a exemplo dos poetas medievais satirizava sem poupar palavrões e linguagem grotesca.


Epílogos

Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.

Quem a pôs neste socrócio?..........Negócio
Quem causa tal perdição?.............Ambição
E o maior desta loucura?...............Usura.

Notável desventura
de um povo néscio, e sandeu,
que não sabe, que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.

Quais são os seus doces objetos?....Pretos
Tem outros bens mais maciços?.....Mestiços
Quais destes lhe são mais gratos?...Mulatos.

Dou ao demo os insensatos,
dou ao demo a gente asnal,
que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?...Meirinhos
Quem faz as farinhas tardas?.........Guardas
Quem as tem nos aposentos?.........Sargentos.

Os círios lá vêm aos centos,
e a terra fica esfaimando,
porque os vão atravessando
Meirinhos, Guardas, Sargentos.

E que justiça a resguarda?.............Bastarda
É grátis distribuída?......................Vendida
Que tem, que a todos assusta?.......Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa,
o que El-Rei nos dá de graça,
que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.

Que vai pela clerezia?..................Simonia
E pelos membros da Igreja?..........Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?.....Unha.

Sazonada caramunha!
enfim que na Santa Sé
o que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.

Soneto

Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
Com sua língua ao nobre o vil decepa:
O Velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

A flor baixa se inculca por Tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa:
Mais isento se mostra, o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazio a tripa,
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.

Autores Pioneiros

Os principais representantes da Literatura Barroca no Brasil são: Bento Teixeira, autor do poemeto heróico Prosopopéia, publicado em Lisboa, em 1601, que é considerada a obra inicial de nosso Barroco, Botelho de Oliveira, o primeiro autor nascido no Brasil a ter um livro aqui publicado, autor de Música do Parnaso, impresso em Lisboa, em 1705, e Gregório de Matos, considerado o maior poeta barroco em Língua Portuguesa, porém há muitas dúvidas sobre sua vida e principalmente com relação a autoria de muitos poemas a ele atribuídos.