Grupo Nós do Morro com Nova Versão do Espetáculo de Estreia

Tudo é pretexto para o grupo Nós do Morro estar em cena, inclusive o fato de completar 32 anos. Isso mesmo, nem 30 (quando montou dois espetáculos), tampouco 35. Amanhã às 20h, o grupo fundado por Guti Fraga fará a estreia da peça “Encontros, 32 anos depois”, na sede do Casarão do Vidigal. 

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Trata-se da nova versão para a montagem que jogou no mundo o trabalho do grupo em 1987, renovou a cena artística brasileira no teatro, cinema e TV e revelou muitos atores nascidos na favela. Paralelamente, a montagem será apresentada nas arenas da Prefeitura (Pavuna, nos dias 14 e 15; Dicró, na Penha, 22 e 23; Madureira, 29 e 30). 

“Antes de tudo, ‘Encontros’ é uma celebração à vida desses jovens sonhadores que, impossibilitados de contar com políticas públicas que os ajudassem a ter acesso aos bens de produção cultural e a uma vida melhor, se viravam como podiam, fazendo do seu viver uma forma de expressão de uma geração que vivia à margem das benesses da sociedade de consumo e do mundo da ‘alta cultura’”, avalia Guti Fraga, diretor artístico e fundador do Nós do Morro, ao lado de Fred Pinheiro, Luís Paulo Corrêa e Castro e Fernando Mello da Costa. 

O tempo de vacas magras não impede que a cortina se abra. Estão no palco 21 atores e o texto é adaptado por Fabrício Santiago, com colaboração de Álamo Facó. Segundo a produtora Dani Carvalho, revisitar este texto é uma forma de celebrar, mas também um exercício de memória. 

Mais de vinte atores participam da encenação da peça que lançou o grupo do Vidigal no panorama teatral brasileiro

 

“Possibilita que nos voltemos para nós mesmos e, ao retratar esses ‘Encontros’, 32 anos depois, percorremos a nossa própria história e nos fortalecemos no crescimento humano e na sensibilidade artística que nos construiu. Assim, o grupo festeja a sua história e os inúmeros encontros que possibilitaram a sua consolidação, renovando a sua missão de atuar pela ampliação do acesso à arte e à cultura aos moradores das periferias cariocas”. 

 

  • Globalização na ordem do dia 

O argumento é o mesmo e os conflitos permanecem, porém as situações foram adaptadas para o contexto atual, com a dinâmica de uma sociedade cada vez mais impactada pela globalização. Fabrício Santiago, criado no Nós do Morro, assina a dramaturgia com intimidade de sobra. 

 

“Ainda criança, o maior sonho da minha vida era simplesmente conseguir viver da minha arte. E, ao ter a sorte de encontrar com a escola de teatro, o meu sonho se tornou possível. Retornar ao grupo nesse momento como dramaturgo é um dos presentes mais especiais de toda minha trajetória”, define. 

 

O primeiro texto, que falava do cotidiano da favela, era importante para que os moradores se reconhecessem e, através dessa experiência, vislumbrassem a vivência artística como algo próximo e tangível; atuando pela democratização do acesso à arte. Hoje, reconhecido mundo afora, o grupo registra em seu currículo intercâmbio com o grupo Chapitô, dos mais importantes de Portugal, apresentações em Londres, no ano de 2005, para participar do Festival da Obra Completa de Shakespeare e ainda para apresentar “Os dois cavaleiros de Verona”, em 2006. 

Guti Fraga afirma que uma das bases da fundação do Nós do Morro foi a autoestima.

 

“O ser humano precisa ter autoestima em alta. A Marília Pêra, com quem trabalhei por cinco anos, me fez acreditar em mim, isso me fortaleceu muito a buscar caminho verdadeiro, o que quis passar para os artistas do Vidigal”. 

 

O Nós do Morro sempre traz a energia do que se vive hoje, diz Fraga.

 

“Estamos há um ano sem patrocínio, a nossa união é o que mais nos anima e estimula. Temos espectadores da Gávea, do Centro, de Marechal Hermes. Nossa arte tem a capacidade de tocar as pessoas. Se a gente fosse parar porque não tem grana já estávamos de portas fechadas. Tenho gratidão aos meus amigos produtores de elenco da TV, pois quando preciso pagar o aluguel consigo fazer uma participação numa novela ou minissérie. Não posso ser contratado pelo simples fato de me dedicar ao trabalho com o grupo. Nestes 32 anos, quase 14 mil pessoas passaram pelo Nós do Morro. Temos que continuar em frente”, completa Fraga. 

 

A crença na possibilidade de aliar formação artística à responsabilidade social é o que move o grupo.

 

“Entendíamos o processo de criação artística como uma filosofia de vida, capaz de formar cidadãos atentos aos problemas do mundo e generosos com os outros. Então, remontar esse texto é uma forma de reafirmar que continuamos acreditando em tudo o que nos motivou desde o início. A nossa história nos mostra que o Grupo Nós do Morro é uma iniciativa que deu certo e, diante desses 32 anos, temos a certeza de que apenas começamos. Que venham os próximos 32”. (M.R.)

 

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SERVIÇO

 

Encontros, 32 anos depois – Nós do Morro 

 

Direção de Guti Fraga 

 

Com Alexandre Cipriano, Alice Coelho, Bruno Borges, Cida Costa, Danilo Martins, Deivison Santos, Diego Francisco, Edson de Oliveira, Felipe Paulino, Jeckie Brown, João Vítor Nascimento, Leilane Pinheiro, Mariana Alves, Marília Coelho, Nathália Mattos, Pablo Sobral, Ramon Francisco, Sônia Magalhães, Taiana Bastos, Thaís Dutra, Tiago Ebeneze 

 

De 31 de maio a 10 de junho 

 

Casarão do Nós do Morro (R. Doutor Olinto de Magalhães, 54 – Vidigal, São Conrado; Tel.: 3874-9412) 

 

Qui. a dom., às 20h. R$10 e R$5

 

 

Fonte: Jornal do Brasil

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