O Buick Cabriolet - O Buick Cabriolet
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Na viagem, nenhuma dúvida restava:
- O carro era uma coisa rara!
Chegando ao Rio, pediram a um amigo, o Pires, dono de uma pequena frota de ônibus, para deixar o Buick guardado em sua garagem, que era coberta, tinha vigia e toda uma estrutura.
Ele consentiu, manobrou o carro, deixou ao lado do escritório, no interior da garagem.
No dia seguinte foram retirar o possante. Havia um movimento estranho, e tomaram conhecimento que foi visto o ladrão de gasolina, há muito procurado, que roubava o combustível, retirando do tanque dos ônibus, ora reconhecido pelo vigia, como sendo um padre, visto sentado na parte traseira do Buick .
O Vigia contou o episodio, dizendo que quando foi render o bandido - o suposto padre -, este vociferando mandou-lhe afastar-se, dizendo que era o dono do Buick; que o respeitasse e lhe pedisse a benção, pois era o Cônego Serafim.
Contou mais :
Havia feito três disparos, um dos quais atingiu o banco traseiro do Buick.
Como o tal Cônego não arredou pé, ele foi para a rua pedir ajuda aos guardas noturnos, de ronda no bairro .
Assim os proprietários retiraram o Buick, e quando iam saindo eis que apareceu o Pepeu (vendedor).
Ele tomou conhecimento do movimento e disse:
-Vocês acham que eu fui besta vendendo esse carro tão barato? Pois bem: ninguém conseguiu viajar nesse carro após as 18:00 hs., porque o Cônego está sempre sentado no banco traseiro.
Esse carro já foi vendido e devolvido por duas pessoas, uma das quais se atirou na estrada, batendo no barranco. Veja a marca no pára-choque dianteiro, lado direito!
De fato, embora o para-choque fosse de aço especial, havia uma marca de batida.
Logo os circunstantes estabeleceram comentários, dos mais variados, havendo alguns que afirmavam ser um golpe do Vigia; outros acreditavam, e acrescentavam experiências vividas.
Os, proprietários do Buick, não deram maior importância ao fato sobrenatural, porque não tinham a intenção de usar o Cabriolé. Pelo contrário, tinham de correr para entregá-lo ao padre Giovane, e esperar que se agradasse.
Afinal, comentaram:
-Questões com almas, ninguém melhor que um padre para resolver!
Em seguida, embarcaram no Buick e rumaram.
Ainda não era meio dia quando chegaram. Foram direto para a casa Paroquial, levando o João, que nada sabia, e nem queria saber, senão sobre a comissão na transação.
Padre Giovane recebeu os vendedores com um sorriso, de canto a canto da boca, e sem perda de tempo pediu as chaves, saindo para experimentar o Cabriolé.
Demorou umas três horas até que voltasse. Os vendedores já estavam desesperados, imaginando que havia acontecido algum acidente. Quando o avistaram o Padre, vindo piscando os faróis, tiveram a certeza de que tudo havia corrido bem, e que o negócio estaria costurado logo, logo.
O Padre mal podia conter-se de contentamento. Disse que foi experimentar o carro, subindo até Petrópolis, e concluiu:
- Levem meu Ford e dou os CR$2.000,00 de volta!
Tá fechado ...! Apertaram as mãos e ele foi buscar a grana, em espécie.
Pagaram à comissão do João, entraram no Ford, e... pé na estrada.
Três dias se passaram, quando João veio trazer a notícia de que o padre Giovane, de tão contente, estava com o juízo destemperado, afirmando para alguns paroquianos que com o carro adquirido, veio também um Cônego que dizia chamar-se Serafim, e aparecia sempre após as 18h00m, sentado no banco traseiro do Buick, quer em viagem, ou mesmo estacionado na garagem.
Não me perguntem nada. Assim ouvi, aqui relato!
Vovô Dila
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