A Invenção do MP3

O MP3 é essencialmente um algoritmo de compressão que começou a ser desenvolvido na Alemanha, em 1987, pelo ISS (Institut Integrierte Schaltungen).


A sigla “MP3” deriva do nome dado a esse sistema de compressão, que foi, MPEG Audio Layer 3.

No projecto estiveram envolvidas várias pessoas mas os inventores credenciados foram Ernst Eberlein, Thomas Sporer, Karhl Heinz Brandenburg, Bern Grill e Bernd Kurten.

O objectivo final era o de se conseguir uma taxa de compressão que permitisse reproduzir som com a qualidade de CD mas que resultasse num ficheiro substancialmente pequeno. Quem trabalhou no projecto focou-se principalmente em como as pessoas poderiam ouvir música.

Assim, ao longo de toda a pesquisa, a sociedade Fraunhofer, que é a maior organização de pesquisa europeia e que fazia parte do grupo MPEG, começou a procurar modos de comprimir a música mantendo uma alta qualidade. Depois dum trabalho de vários anos, os padrões foram implementados em 1991, no MPEG 1 Audio Layer 3. Três anos depois apareceriam mais melhoramentos no MPEG 2.

Em 7 de Julho de 1994 a sociedade Fraunhofer produziu o primeiro codificador de MP3. Poucos meses após seu lançamento surgiu o primeiro software leitor de MP3. Chamava-se Winplay 3 e foi criado para funcionar no sistema operativo Windows.

O sucesso do MP3 residiu nas enormes vantagens que tinha em relação aos outros formatos digitais de música da altura.

O principal foi, sem dúvida, o seu tamanho. Como exemplo, usando a compressão de 128bits numa música de 5 minutos, ficávamos com um ficheiro MP3 com cerca de 5MB. Só para se ter uma ideia da diferença, para a mesma música o formato mais popular na altura, o WAV, criava um ficheiro digital com cerca de 50MB.

Além disso, a qualidade mantinha-se razoavelmente boa, sendo considerada por alguns como muito próxima da qualidade de um CD.

Mas como é que tal feito é conseguido?

Bem, o que os criadores deste formato fizeram foi aproveitar as limitações da audição humana. Como existem frequências de som que o ouvido humano não consegue ouvir, o algoritmo de compressão do MP3 analisa a música original e remove todas as frequências que não são audíveis pelas pessoas, conseguindo assim reduzir substancialmente o tamanho da música sem comprometer a sua qualidade final.

A força e impacto que o formato MP3 teve na internet foi rapidamente demonstrado.

Em 1997 foi lançado o Winamp 1, que veio permitir ás pessoas comuns reproduzir ficheiros mp3 com facilidade. Num ápice a internet começou a ser inundada por vários leitores de MP3.

Em 1999 foi criado o Napster, que foi a primeira rede de partilha de arquivos que permitia aos seus utilizadores partilharem arquivos mp3 a qualquer hora e em qualquer lugar do mundo. Escusado será dizer que as editoras processaram o Napster, que foi forçado a encerrar em 2001. Mas durante os três anos que esteve em funcionamento chegou a ter 8 milhões de utilizadores online simultaneamente e quando fechou estima-se que eram trocados cerca de 20 milhões de ficheiros MP3 por dia.

Este enorme sucesso demonstrou a enorme popularidade que o MP3 tinha conseguido junto dos seus utilizadores e da comunidade em geral. Isso levou ao desenvolvimento dos leitores de Mp3 portáteis. O mais bem sucedido de todos foi e ainda é, o iPod, lançado pela Apple no dia 10 de Novembro de 2001.

Apesar dos diversos processos judiciais ocorridos, a partilha de arquivos de Mp3 não foi interrompida. Existem hoje sites e softwares que permitem a partilha legal de arquivos MP3 com direitos de autor, sendo o iTunes, também da Apple, o maior e mais bem sucedido de todos.

Dificilmente os criadores do MP3 poderiam ter imaginado que a sua criação iria ter tamanha aceitação e tão estrondoso sucesso, mas a sua grande qualidade de som e pequeno tamanho tornam-no atraente para muitos utilizadores pelo que é provável que se mantenha como o formato padrão de música digital.

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