O Ano do Pensamento Mágico de Joan Didion

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O luto é dos temas mais duros que um escritor pode abordar. Joan Didion enfrenta, no entanto, com uma coragem ímpar, o desafio proposto. O ano do pensamento mágico é uma obra autobiográfica que foi escrita a partir da experiência da autora de ter perdido o marido de modo repentino.

Antes de ser um livro pesado ou deprimente, a abordagem escolhida pela escritora é a da honestidade absoluta e a da transmissão de dados recolhidos a partir de investigações científicas. Sim, Didion foi a procura de uma série de estudos sobre o luto para ajudá-la a compreender melhor o que estava se passando no seu próprio corpo.

Generosamente esses ensinamentos foram partilhados com o leitor, que encerra a leitura do livro muito mais rico e consciente da finitude da vida:

Não tinha feito alterações naquele documento desde que escrevera as palavras, em maio de 2004, um dia ou dois ou três depois do sucedido.

A vida muda num instante.

Um instante normal.

Em algum momento, com vista a poder lembrar-me daquilo que parecia mais assinalável sobre o que se passara, considerei acrescentar aquelas palavras: «um instante normal». Vi de imediato que não havia necessidade de acrescentar a palavra «normal», porque jamais o esqueceria: a palavra nunca abandonou a minha mente. De fato, era a natureza normal de tudo o que precedera o acontecimento que me impediu de acreditar que aquilo sucedera verdadeiramente, e de o absorver, incorporar, ultrapassar.

Com uma linguagem simples, coloquial, e uma entrega total - uma honestidade avassaladora - ficamos conhecendo o sofrimento de Didion, que é igual ao de todos nós que já perdemos uma pessoa querida.

Ao invés de nos esquivarmos da morte, o livro nos faz pensar sobre o assunto de uma maneira desdramatizada e realista, dando ferramentas para melhor digerirmos esse processo terrível que é o luto. O ano do pensamento mágico é um livro essencial para todos aqueles que passaram por uma grande perda ou para aqueles que ainda irão passar, afinal de contas, a morte é inerente à vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Google Avançado

Tags: livros, leitura

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