Monografia - Linguagem

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Ao conversar com uma pessoa que não sabe ler nem escrever, você emprega palavras simples e evita raciocínios mirabolantes. Com os amigos, seu verbo se solta. Numa entrevista para estágio ou emprego, você concilia polidez, influencia e serenidade.

 Ao buscar a expressão adequada a cada situação, você não demonstra falta de personalidade, e sim bom senso. Afinal, você quer se comunicar.

 A monografia também requer uma linguagem própria. Mais não pense que se trata de vocabulário rebuscado, frases pomposas e cliques acadêmicos. Decididamente isso pertence ao passado.

 Hoje, mais que nunca, procura-se clareza, objetividade e coesão.

Clareza

 Você escolhe um tema, levanta hipóteses, faz um plano de pesquisa e mergulha na coleta de dados. As descobertas ampliam sua visão e estimulam o seu cérebro.

 Você acumula anotações, começa a prever o que será a monografia. Continua pesquisando até ter certeza de que, com as informações de que dispõe, pode escrever um texto denso.

 Nesse momento, você sabe mais sobre seu tema do que a maioria das pessoas. É chegada a hora de democratizar esse conhecimento. Portanto, para se fazer compreender, use palavras precisas e frases simples.

 Ao final do dia do trabalho, reveja o que escreveu, clareando as passagens que lhe parecem vagas ou obscuras. Faça isto novamente quando terminar a primeira versão completa da monografia, eventualmente lendo em voz alta.

 Submeta seu texto a outras pessoas, a começar pelo orientador. Peça que marquem todos o que estiver confuso ou mal explicado. Ao final, faça perguntas sobre o conteúdo, para ver se entenderam tudo.

 Claro, você não pode querer que todo mundo compreenda a sua monografia. Mais o público a quem ela se destina ou pode interessar, sim. 

Objetividade

 Durante a pesquisa, você se familiariza com o tema. Desenvolve idéias acerca de seus diferentes aspectos. Testa hipóteses.

 No momento de escrever, distribui os dados pelas três partes que constituem a monografia: introdução, desenvolvimento e conclusão.

 Para ordenar tudo isso numa exposição cada vez mais profunda, você desenvolve uma linha de raciocínio.

 Linha de raciocínio é como linha férrea: não permite bifurcações. Com metáforas e outros recursos literários, você corre o risco de descarrilar o pensamento.

 Em poema, por exemplo, uma rosa pode significar muitas coisas; em monografia, é apenas uma flor.

 Isto não quer dizer que a linguagem da monografia seja mais pobre. Apenas é utilizada sem ambigüidade.

 Ao empregar as palavras no sentido que elas têm no dicionário, você pode transmitir dado e, grande quantidade, de maneira organizada, sem deixar dúvidas. Assim, conduz o leitor do início ao fim.

 Coesão

 Imagine se você está contando uma piada e, ao se aproximar do clímax, esquece um elemento fundamental à compreensão! Ninguém ri.

 Efeito semelhante é provocado por parágrafo que não traz todos os dados que deveria conter: você frustra o eleitor, que não entende.

 Agora digamos que, numa monografia sobre “Internet e educação:

 integração para o futuro”, você dedique um parágrafo aos manuscritos antigos e, no parágrafo seguinte, pule diretamente para o computador. Seu leitor se perderá.

 Além de fazerem sentido em si mesmo, os parágrafos precisam estar concatenados uns aos outros. Para tanto, devem se posicionar de maneira lógica e formar um todo coerente.

 Inimigos do Bom texto

 Muitos escritores só param de lapidar seus originais quando o editor o manda imprimir. Isto significa que as primeiras vezes e que aparece no papel, o texto não satisfaz nem mesmo os grandes nomes da literatura.

 Freqüentemente, o que diferencia bons e maus textos é o número de vezes em que os números são retrabalhados.

 Retrabalhar não significa reescrever tudo. Na verdade, consiste sobretudo numa leitura atenta, durante a qual sanamos problemas, eliminamos vícios de linguagem e enxugamos o texto.

Neste sentido, evite:

• Lugares-comuns,, frases reprisadas;

• Redundâncias;

• Gírias e grifos excessivos, como sentenças em itálico e palavras com letras minúsculas;

• A primeira pessoa do singular. Por exemplo: em vez de “eu fiz a pesquisa com base em...”;

• Adjetivos e advérbios em excesso;

• Artigos que podem ser dispensados.

Entre os inimigos do texto fluido e agradável, destacaremos quatro especialmente perniciosos: períodos longos, repetição de palavras, hermetismo e verbalismo.

"Períodos longos"

 Períodos longos, com várias orações, só atrapalham: você se arrisca a perder o fio da meada e, mesmo que isso não aconteça da um trabalho desnecessário ao leitor.

 Sem falar que amplia o risco de cometer erros de concordância, regência, pontuação etc.


 Por fim, tende a empregar excessivamente a palavra “que”. Note a diferença.

 1º) “É necessário que se entenda a pesquisa científica que foi realizada, de modo que se possa entender que objetivo estamos querendo que sejam alcançadas”.

 2º) “É necessário que se entenda a pesquisa científica que foi realizada. Desse modo poderão ser entendidos os objetivos que queremos alcançar”.

 As duas construções dizem a mesma coisa. Porém, a segunda foi dividida em dois períodos, o que evitou a repetição excessividade de “que”.

 "Repetição de palavras"

 Repetição desnecessária de vocábulos empobrece o texto e cansa o leitor.

 Para evitar isso, utilize os seguintes recursos:

 a) Sinônimo. Ao perceber que uma palavra esta se repetindo em seu texto, recorra ao dicionário e encontre um equivalente. Se um dia foi chamado de “pai dos burros”, o dicionário é visto atualmente como o melhor amigo de quem quer escrever bem.

 b) Zeugma. Algumas palavras podem ser omitidas da frase, de modo a não se repetirem. A este recurso chamamos de zeugma. Poe exemplo: “Ele prefere sair; eu ficar em casa” ? omissão de “prefiro”, que fica subentendido.

 c) Pronome: “Esta é minha idéia; aquela, a sua”, evitando-se a repetição da palavra “idéia”

 d) Perífrase: “Castro Alves tinha poemas abolicionistas. O poeta dos escravos representou a fase do Romantismo que…” ? para que “Castro Alves” não fosse repetido, utilizou-se a expressão pela qual ele é conhecido.

Hermetismo

 Quanto mais estuda, mais você se especializa. Habitua-se a usar um número crescente de termos técnicos e conceitos específicos de sua área de estudos. Mais não pode levar a se expressar de maneira obscura, incomparável, hermética.

 Na verdade, o ideal é conciliar profundidade de pesquisa com clareza de expressão. Assim transmite suas descobertas ao maior número possível de leitores.

 E, cá entre nós, o hermetismo já passou por traço fino, mas atualmente é visto como disfarce para quem não tem muito o que dizer.

 Verbalismo

 Durante a pesquisa, lemos muitos autores diferentes. Se fizermos uma triagem cuidadosa, certamente nos debruçamos sobre textos densos e pertinentes. Mais isto não quer dizer que todos sejam bem escritos.

 Nesse sentido, há casos até mesmo dramáticos, como o de Kant, um gênio da filosofia que, entretanto, chegava a assumir publicamente a sua dificuldade de escrever.

 Histórias assim nos dão um certo alívio. Não precisamos ser exímios escritores para elaborar monografia ou fazer ou fazer carreira acadêmica. Mais devemos fazer o possível para tornar legível nosso texto.


 Para tanto, precisamos evitar o pernicioso verbalismo, ou seja, o uso de palavras excessivamente livresca, vazias e pretensiosas.

 Em monografia, a elegância da escrita costuma resultar da simplicidade – evidentemente combinada a consistência.

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