O Rouba Livros - Continuação...
Índice de Artigos
Desfeito o mal entendido, o pobre rapaz disse que apenas queria que alguém trocasse o livro para ele. Lucius disse-lhe que ele parecia bem interessado no dia anterior pelo livro e agora não entendia por que não o queria mais.
Lucius ficou literalmente paralisado quando o pobre rapaz lhe disse que tinha de fato gostado do livro, prova disso é que o leu totalmente e queria trocá-lo por outro, pois não tinha o que ler agora.
Depois de trinta segundos completamente confusos, Lucius resolveu convidar-lhe para uma lanchonete e lá lhe disse que queria ver o livro. Lúcius abriu aleatoriamente o livro e este se abriu na página duzentos e noventa e seis. Ele leu um trecho, onde informava que Faraó afirmava o seguinte: que se ninguém ensinasse uma criança a falar, esta, quando aprendesse a falar, expressar-se-ia pela língua original da humanidade. E perguntou-lhe qual o idioma que foi dito por uma das crianças submetidas a um ambiente isolado durante dois anos. O pivete respondeu que uma das crianças teve fome e pediu pão em Cintio, idioma que era falado em uma região que hoje é a Ucrânia. O inocente pivete ficou esperando um complemento de raciocínio qualquer, mas Lúclius perguntou-lhe em seguida qual a escola que havia estudado e ouviu então que o sujo leitor nunca havia entrado em uma escola.
Lúcius emocionou-se por um momento, mas conteve-se e disfarçou dizendo que esta era uma boa ideia, pão... Já era hora de pedirem algo a garçonete para comer.
Durante o lanche, Lúcius olhava intrigado para o sujo leitor.
O sujo leitor comeu pouco e pensava apenas na troca de seu novo livro.
Lúcius disse que se tivesse alguma literatura lhe daria, mas possuía apenas livros técnicos, pois tudo que comprava era para entender melhor a robótica. Tomado de interesse, o sujo leitor disse que lhe serviria bem tais livros.
Então o estudante não comentou com ninguém sobre o notável rapaz e durante vinte e nove dias Lúcius concentrou-se no trabalho da faculdade: a construção de um robô. Encontrava-o sempre na praça, oferecia-lhe um lanche e dois livros. Achava estranho o seu marcador de livros, uma folha velha com alguma ilustração que ele não trocava por nenhum outro marcador.
Ao final deste período, Lúcius disse-lhe que os livros que agora possuía eram de seu atual uso na faculdade, mas que tinha uma ideia.
Ele mesmo entraria na livraria com o livro lá comprado e o trocaria sem que ninguém percebesse. O sujo leitor disse-lhe que era melhor ele falar com alguém, pois poderiam achar desonesta a sua atitude. O rapaz disse-lhe que não teriam nenhum prejuízo e que alguém acabaria comprando o livro deixado.
Em comum acordo, Lúcius perguntou o que lhe interessaria e ele disse que nunca havia lido as obras de Shakespeare. Dito isto, a operação na livraria foi um sucesso e Lúcius trouxe-lhe “Contos Shakespearianos”.
Naquela manhã o sujo leitor aprendeu que poderia trocar um livro novo já que não causaria prejuízo algum com este ato e, satisfeito, expressou a seu novo amigo que gostaria de dar-lhe algo, mas não tinha consigo posses. Perguntou, então, a Lúcius como ia seu trabalho com o Robô. Lúcius lamentou as intermitências de suas experiências. Timidamente o sujo leitor disse-lhe que se não se importasse em recebê-lo em sua garagem, poderia ajudá-lo em sua pesquisa.
- /index.php/salas/literatura/23-genero-narrativo-conto/400-os-olhos-negros-de-deus
- /index.php/salas/literatura/23-genero-narrativo-conto/121-bicho






