O Rouba Livros - Continuação...

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Lúcius gostou tanto da proposta que seguiram até a garagem onde se encontrava seu projeto, deu-lhe uma mangueira d'água, um sabonete e xampu para lavar-se ali mesmo. Já com roupas novas, pareceu uma pessoa decente aos olhos de Lúcius.

Comeram algo e, agora limpo e alimentado, ao ver a placa mãe disse que havia uma incompatibilidade na velocidade das memórias e explicou a Lúcius algo sobre nanossegundos.

Ao substituir as memórias, o robô passou a funcionar perfeitamente, ele reagia aos movimentos, toques e sons.

Satisfeito Lúcius deu nome ao robô. Chamou-o de Pedrinho e disse ao seu amigo que poderia dormir ali naquela noite. O limpo leitor invejou o robô que recebeu um nome. Por este e outros motivos decidiu que deixaria a cidade pela manhã para viajar o mundo. Lamentaram e concordaram ao final com esta decisão.

Em seu quarto, Lúcius pensou que talvez devesse dar um nome a seu novo amigo e pensando nisso adormeceu. Já na garagem, seu novo amigo divertia-se no aperfeiçoamento do equipamento, acoplando a um recurso que permitia o robô acessar a Internet e utilizar o banco de dados do Wikipédia (uma mega enciclopédia online), deu-lhe seu próprio timbre de voz e fez ajustes graciosos em seus movimentos.

Lúcius acordou bem cedo e, além da ansiedade por ver o seu robô em ação novamente, teve a certeza de que dar nome ao seu novo amigo seria a atitude correta. Pensando assim, seguiu para a garagem.

Chegando à garagem, pareceu ouvir o seu novo amigo saudar-lhe e deu-lhe a boa notícia de que tivera a ideia de dar-lhe um nome e mesmo sem ver-lhe ouviu-o responder que já tinha um nome e era Pedrinho. Só então percebeu que quem lhe falava era o robô, seu amigo não estava mais ali e ele chorou.

Ao apresentar o Pedrinho a seus mestres, Lucius surpreendeu-se quase tanto quanto seus professores ao ver a sabedoria e os movimentos graciosos do robô. Não descobriram, naquele dia, que a grande inteligência do robô vinha do acesso a um site na Internet.

O jovem rapaz deixou a garagem com uma maçã, um livro novo e com boa aparência. Procurou manter-se assim, pois agora seria mais fácil aproximar-se das pessoas. O fato é que as pessoas ficavam bem satisfeitas ao conhecê-lo nos primeiros cinco minutos e ele aprendeu que, em suas satisfações, as pessoas tornavam-se prósperas.

Bem, Lúcius formou-se, criou projetos interessantes e decidira localizar seu amigo. Sentia como se procurasse a um irmão perdido.

Contratou detetives, hackers e informantes do submundo, mas ninguém o achava. Não sabiam como procurar alguém que não tinha um nome.

Passados alguns anos, o próprio Lúcius saiu em viagens pelo mundo para localizar seu amigo.

Num hotel, observava os passantes e ao avistar uma livraria resolveu circular até lá. No caminho, viu um jornaleiro e resolveu fazer-lhe algumas perguntas. Queria saber se ele avistara um rapaz magro com algum livro na mão, moreno claro, de cabelos castanhos, meio compridos e que nunca sorria.

Esta última característica chamou-lhe a atenção. Lembrou-se de um rapaz que roubou-lhe um livro de Dante, mas existem tantos estudantes com essas características naquela região, que o próprio jornaleiro achou improvável ser a mesma pessoa.

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