O Rouba Livros - Continuação...
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Vendo alguma possibilidade de ser seu amigo, disse ao jornaleiro que este assunto lhe era muito caro. Perguntou se ele se lembrava de mais algum detalhe e o jornaleiro respondeu-lhe que não se esquecera do jovem, porque ele também esqueceu um livro naquele dia.
Lúcius pensou alto, “ele não esqueceu, era uma troca”. Perguntou imediatamente quando se deu o fato. O jornaleiro disse que há uns três meses.
Enobrecido com sua primeira pista, comprou um jornal e voltou ao hotel. No caminho, pensou se ele deixaria sempre esta forma de rastro: a troca de livros por onde passasse.
Depois de um banho quente relaxou na poltrona, dormiu ali mesmo, sem se dar conta de que havia um artigo no jornal sobre desaparecimento de livros em faculdades.
O compulsivo leitor assimilava quatro ou sete livros por dia e possuía, ao passar destes anos, vinte e dois livros novos que mal lhes serviam para quatro dias. Assim, de três em três dias, procurava caminhos de trocá-los por obras ainda não conhecidas.
Um dia, ele desativou o alarme, abriu as fechaduras de uma livraria e pôs-se a ler, digo, a caçar os títulos, pois foi se dando conta de que já havia lido cada livro que olhava e assim não encontrou nenhum título novo. Frustrado, fechou as trancas, religou o alarme da livraria e saiu dali preocupado.
Nesta mesma madrugada, penetrou em uma das bibliotecas de outra universidade e, com dificuldade, substituiu seus vinte e dois livros.
Ao terminar de assimilar "Os Lusíadas" de Camões se deu conta da dificuldade que vinha tendo de encontrar livros. Teve, então, a idéia de aprender outro idioma, assim, localizaria novos escritores. Não encontrando saída para seu problema, escolheu a Índia, agora precisaria aprender Inglês e as variações do Híndi.
Deu um jeito de conseguir manuais e dicionários de Inglês, mas não encontrava nada sobre Híndi e nisto passou a dedicar-se ao idioma britânico. Antes de iniciar sua nova viagem, achou que o consulado da Índia pudesse ter as respostas de que precisava, havia ali o projeto de um curso interno de hindi. Ouvia o curso do lado de fora da janela, mas não entendia o método explicativo do professor. Bem, viu ali uma bela biblioteca sobre culturas e idiomas da Índia. À noite, trocou seus livros de inglês na biblioteca do consulado, pois já os havia assimilado.
Com os livros sobre Híndi viajou.
Quando Lúcius chegou ao consulado, foi informado que houvera um roubo na biblioteca. Disse o cônsul que levaram vinte e dois livros raros e que deixaram na bancada vinte e dois manuais de inglês.
Sabia agora onde procurá-lo. Índia... Sua vida estava se tornando uma aventura.
Pegou um avião e seguiu para Índia.
Tinha dificuldades em dialogar com os indianos e procurava fazer-se entender através de gestos e de seu Inglês ainda precário.
Sempre que compreendia qualquer comentário sobre livros desaparecidos, seguia o mais rápido possível para o local em questão.
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